O Advogado do Diabo




Título Original: The Devil’s Advocate (USA, 1997)
Gênero: Suspense
Duração: 144 min
Direção: Taylor Hackford
Roteiro: Jonatham Lemkin baseado no Romance “The Devil´s Advocate” de Andrew Neiderman.
Elenco: Al Pacino (John Milton) Keanu Reeves (Kevin Lomax), Charlize Theron (Mary Ann Lomax).



A palavra Diabo, já trás uma resistência, como algo do MAU e MAL. No filme, Al Pacino, é o Diabo, chamado de John Milton, no filme; levantou questões primordiais: Livre-arbítrio, Humanidade, Ambição, Vaidade, Amor, Amor-Próprio, Culpa.

Kevin Lomax, Keanu Reeves, é um brilhante advogado convidado a trabalhar na empresa de advocacia de John Milton. E aceita! Então ele e sua esposa (Mary Ann), que tinham uma vida mais simples, mas mais amorosa, mudaram completamente suas rotinas: mudaram para NY, Kevin praticamente não tinha mais tempo para a esposa. A partir daí, os "testes" começaram…

Aliás, como diz Milton, as negociações começaram…

Que negociações são essas? As do livre-arbítrio. Afinal, o que é livre-arbítrio? É a doutrina filosófica de que os homens têm o poder de escolher suas ações. Veja bem, aqui não se trata de dizer que o sujeito é livre para voar ou qualquer coisa parecida.

Levando-se em conta que algumas coisas são "pré-determinadas" e exigem certas predisposições, dizem que o homem têm o direito à escolha, mesmo que dentre as opções impostas; o que, pessoalmente, não considero uma escolha, opção, real.

Tudo muda a partir do momento em que Kevin escolheu… optou por não ter tempo para a família, mesmo com sua esposa adoecendo a olhos vistos, que também escolheu permanecer doente. Kevin escolheu a profissão, a vaidade de vencer sempre, a ambição de ser o melhor advogado criminal de NY, o que equivale dizer ser o melhor advogado dos EUA.

E a vida cobrou o preço disso… sempre alto! Esse preço, essa dívida simbólica, é cobrada ao longo da existência e ninguém tem alguma culpa de sua dívida, ela é apenas sua e de suas escolhas. O preço que Kevin pagou foi o suicídio de sua esposa. Depois de internada numa clínica psiquiátrica, num momento delirante, ela se matou. E Lomax foi pedir as contas com Milton…

Chegando na "Torre" de Milton, Kevin o acusa de ter matado Mary Ann. E aí, no final do filme, há um fechamento, uma síntese de todo desenrolar do filme, de forma brilhante!


Reproduzindo do filme:

Milton diz:
-“ Livre-Arbítrio. É como as asas da borboleta. Se tocar, não saem do chão. Eu só preparo o palco. Você só manipula suas cordas. Nunca perdeu uma causa. Por quê? O que você acha? Por que você é bom? Sim! Mas por quê? Ninguém ganha sempre, Kevin”. 

E continua, ao falar de Mary Ann:
-“Mary Ann… Você poderia tê-la salvado. Ela só precisava de amor. Você não tinha tempo… Pare de se iludir! Eu mandei você cuidar de sua mulher. O que eu falei? O mundo vai entender! Não falei? E o que você fez? “Sabe o que me assusta, John? Eu largo o caso, ela melhora, e eu começo a odiá-la”. Lembra-se? Eu não fiz isso, Kevin? O que eu disse naquele dia do metrô? Talvez fosse sua hora de perder. Você não concordou.”

John então respondeu:
-“Perder? Eu não perco! Eu ganho! Eu ganho! Eu sou advogado! Essa é minha profissão!”

E Milton responde:
-“A vaidade é, com certeza, o meu pecado predileto. Amor-próprio, a droga mais natural. Sabe, não que você não gostasse de Mary Ann, é que você estava mais envolvido com outra pessoa. Contigo mesmo…"
"Estou te dizendo, a culpa é um saco cheio de tijolos. Tudo que você tem de fazer é largá-lo. Pra quem você está carregando esse saco de tijolos?"
"Por Deus? É isso? Pra Deus? Escute aqui! Vou te dar algumas informações sobre Deus. Deus gosta de observar. Ele é um gozador. Pense! Ele dá instintos ao homem. Ele lhe dá esse extraordinário dom, e o que faz depois? Ele os proíbe. Eu juro, para a própria diversão, para a própria comédia cósmica particular, ele cria regras contrárias. É a maior piada de todas: Olhe, mas não toque. Toque, mas não prove. Prove, mas não engula. E, enquanto você pula de um pé para outro, o que ele faz? Ele fica se mijando de tanto rir! Ele é um sacana!! Ele é um sádico!!! Ele é um patrão ausente! Adorar isso? Nunca! … Eu me preocupei com seus desejos e nunca o julguei. Por quê? Porque eu jamais o rejeitei, apesar de suas imperfeições. Eu sou fã do homem! Eu sou um humanista! Talvez o último humanista”…

Segue a parte do filme:


Bom, o mal da humanidade é se prender ao pré-julgamento interno do que seja mal e bem. Do fazer bem e mal… Onde nada disso conta, pois tudo não passa de ser Humano, demasiadamente humano…

Ninguém conseguirá ser imagem-semelhança de Deus. Pois ser Homem é ser instintivo, é ser ambicioso e é colocar em jogo a auto-preservação; o que nos torna egoístas e competidores natos de uma cadeia alimentar vasta.

Os instintos “que Deus nos deu” são imperfeitos para o objetivo de ser igual a ele desde e para sempre. Nosso duplo é o diabo, como já dizia o Filósofo Cioran. O Diabo é humano!!! Deus é desumano…

Kevin queria dinheiro, sucesso profissional e fama! Isso é um mal? Quem não quer isso que atire a primeira pedra! Isso é HUMANO!!!

Obviamente que temos o livre-arbítrio de termos uma vida mais simples, de tomarmos na cara sempre, de tentarmos ser a perfeição de Deus… Tudo é uma escolha! Escolha que jogo jogar lembrando-se sempre que SEMPRE há um preço nisso, independente da escolha feita.



Postagem original de "Vampira Olímpia".
Em: .

*Bjks
@rhannabfc

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